Quem deve ir?



A palavra “IDE” encerra outra consideração de vital importância: a quem está dirigida a ordem do Senhor? Quem deve ir? Se pedíssemos uma opinião, receberíamos diversas respostas, mostrando que existe uma grande confusão sobre este ponto. Uns opinariam que esta ordem é para os evangelistas somente; outros diriam que, além dos evangelistas, é também para os pastores e mestres. Alguns sentem que cada crente deve ir, mas se pedíssemos alguma base bíblica teriam dificuldade em nos dar. O mais lamentável é que se “opina”, se “sente”, mas na maioria das vezes não existe uma sólida convicção. Em um assunto de tanta importância não é o suficiente sentir desta ou daquela maneira, é necessária uma clareza completa.


Se os “filhos deste século” se movessem em suas empresas como a igreja se move na pregação, quase todo o comércio do mundo estaria em ruínas! O Senhor disse bem: “Os filhos deste século, são mais sagazes... que os filhos da luz” (Lc 16.8). É extraordinário vê-los revisarem os seus métodos e controlarem, minuciosamente, o andamento de suas empresas. Eles descobriram que sem definição não existe obra! Revisemos esse ponto crucial com muito cuidado.

Em primeiro lugar, devemos compreender que a igreja foi chamada para a evangelização, por ser nação e povo de sacerdotes. Israel estava formado por sacerdotes e povo. A igreja está formada integralmente por sacerdotes: é uma nação de sacerdotes. Como sacerdotes, nossa missão é dupla: a de “oferecer sacrifícios espirituais” ao Senhor (1Pe 2.5) e a de fazer a reconciliação a favor dos perdidos; não com sacrifícios de animais e ofertas feitas diante de um altar, mas por meio da obra redentora de Cristo. A pregação da cruz é a base desse ministério (2Co 5.18-20). Vamos analisar dois princípios básicos estabelecidos pelo Senhor:


1- CADA REDIMIDO É UM SACERDOTE.


Se é redimido, pertence ao povo de Deus e se pertence ao povo de Deus, é sacerdote; seja homem ou mulher, tenha sido salvo há muito ou há pouco tempo. Não existe uma relação entre sua condição de sacerdote com outros dons e ministérios que o Espírito Santo lhe tenha conferido. Ao nascer na família de Deus, já é um sacerdote. Isso determinou o Senhor! “... vós sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus...” Não pode existir nada mais claro e definitivo.


2- CADA SACERDOTE FOI CHAMADO PARA ANUNCIAR O EVANGELHO DE CRISTO.


Assim explica Pedro ao dizer: “... a fim de proclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz". Notemos que a finalidade expressa no texto indica a razão do nosso chamamento: anunciar a Cristo.

Observamos que anunciar o evangelho não é uma obra somente dos evangelistas, mas de todo o povo de Deus, de toda a igreja... e, consequentemente, de cada um dos redimidos! Os que têm o dom de evangelista terão uma função destacada na pregação, mas, no texto, Pedro nos mostra a existência de uma função básica e comum a todos os membros do corpo. Os discípulos em Jerusalém entendiam que a pregação não dependia do que Pedro ou Felipe poderiam fazer: toda a massa dos redimidos se movia para evangelizar! Nunca devemos perder de vista a natureza dos redimidos: o menor deles não é menos que um escolhido, santo, adquirido por Deus, sacerdote! Seria um erro confundir os dons do Espírito ou as diferentes funções dos membros do Corpo com hierarquias ou castas, fazendo diferença entre aqueles que Deus formou com uma só natureza em um só corpo. Entretanto, não podemos cometer o desatino de reconhecer virtudes onde não existem. O nível espiritual, muitas vezes, é tão baixo que não sabemos como relacionar o que Deus disse com a classe de crentes que, em sua maioria, são membros de nossas congregações. Isso deve levar-nos a uma reflexão. Quando essa é a situação da Igreja, a responsabilidade recai mais sobre os pastores, do que sobre os membros do corpo. Em tais circunstâncias seria impróprio fazer “ajustes doutrinários” para aceitar a situação, conduzindo como “mal da época” ou que estamos vivendo em determinado “tempo profético”. Ainda que seja difícil, é melhor enfrentar o problema e voltarmos ao trono de Deus para obter “o socorro oportuno”. Nossa missão, se somos pastores da igreja, é formar um povo cheio do Espírito Santo. A nuvem de glória tem desaparecido de muitas congregações, porque se perdeu o reconhecimento de que para fazer a obra de Deus é indispensável ter o sobrenatural poder do Espírito Santo. Procuramos produzir filhos para Deus e servos para Jesus Cristo por meios humanos. Trabalhamos, por anos, para formá-los, fazemos grandes gastos, possuímos uma indiscutível sinceridade e entusiasmo, mas quando chegamos ao fim da obra nos damos conta de que produzimos uma realidade destituída das virtudes necessárias para sermos úteis a Deus.


Precisamos dar oportunidade ao Espírito Santo para termos um exército de verdadeiros discípulos cheios da vida e autoridade, capazes de servir ao Senhor. Quando for o Senhor o que “acrescentar a cada dia à igreja os que vão sendo salvos”; quando estivermos convictos de que nós, os cristãos, somos “feitura de Deus”, então não será difícil, para Ele, restabelecer o ministério em Sua casa e produzir um exército de proclamadores! A regra divina é inalterável. Cada redimido, por ser um sacerdote de Deus, deve ouvir a voz do seu Senhor dizendo: “IDE”. Mas cada redimido deve sentir-se responsável por ouvir o chamado do Senhor à evangelização, não somente por ser sacerdote, mas também por ter sido constituído por Deus testemunha de Cristo. O Senhor disse aos seus: “Eis que envio sobre vós a promessa de meu pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder”. (Lc 24.49) O Senhor iria revestir com poder do alto aos seus servos, e para isto era necessário que aguardassem em Jerusalém. No momento, é importante fazermos duas perguntas fundamentais:

1- Quem deve receber a unção? Pedro dirigindo-se aos seus ouvintes no dia de Pentecostes, expressa-se desta maneira com respeito ao dom do Espírito Santo: “Pois para vós outros é a promessa, (aqui, sem dúvida, está se referindo ao mesmo que o Senhor falou em Lc 24.49 e que mencionamos acima) para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar”. Concluímos que a promessa da investidura do Espírito Santo é para toda a igreja, é para cada redimido.


2- Para quem é a unção?


A resposta a esta segunda pergunta está em At 1.8 onde o Senhor disse: ”Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas... até os confins da terra”. É evidente, pois, que a investidura de poder do Espírito Santo é para ser testemunhas de Cristo!


Permitamos, então, que o Espírito Santo revolucione os conceitos que tem escurecido a nossa visão e que tem sido um problema para o seu agir. Deixemos que Deus ponha em execução o seu perfeito plano; ouçamos a sua voz: “Eu... vos designei para que vades...”. Quando vamos, vamos todos!




Trecho retirado do livro: Ide e fazei discípulos. autor: Ivan Baker

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