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CONTRIBUIÇÕES NA IGREJA

14/11/2019

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Destaques

O cuidado com filhos adolescentes

 

A adolescência é uma etapa de muitas mudanças, tanto no corpo como na mente. Nessa época, o jovem começa a desenvolver a independência, tanto emocional como de proteção dos pais. Isso faz parte do caminho à maturidade. Mas, nesse tempo, há também a descoberta do mundo, o aumento das tentações da carne com suas paixões e dos conflitos de rebelião contra todo tipo de autoridade, inclusive a dos pais. Essa época também se reveste de especial importância porque, geralmente, é nela que o jovem toma sua decisão pessoal de ser um discípulo de Cristo para o resto da vida. É o tempo de levar os filhos a pensar em Deus e no futuro de suas vidas de forma madura.

 

Alegra-te, jovem, na tua juventude, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade; anda pelos caminhos que satisfazem ao teu coração e agradam aos teus olhos; sabe, porém, que de todas estas coisas Deus te pedirá contas.

 

Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer. Ec 11.9; 12.1.

 

A partir dos 18 anos, o jovem continua debaixo do cuidado paternal, mas começa a ter uma vida mais independente. Os pais terão que aprender a “soltar as rédeas” aos poucos e na medida certa, confiando na formação que deram a seus filhos durante os anos anteriores. Nesse tempo também, alguns filhos que cedem às tentações são inclinados a esconder a verdade dos pais e da igreja, come- çando assim um perigoso caminho de mentira e hipocrisia.

 

Por tudo isso, é muito importante que os pais não sejam surpreendidos por essa fase dos filhos e não tenham reações erradas. É momento, mais do que nunca, de dependerem de Deus e buscarem Seu sábio conselho.

 

Os filhos adolescentes necessitam de direção, firmeza, amizade e carinho dos pais.

 

Firmeza e carinho

 

É tempo de ser muito firmes e muito carinhosos com seus filhos. O erro mais comum que encontramos em pais de adolescentes é o contrário da firmeza e do carinho: a frouxidão e a aspereza. O erro se manifesta quando os filhos, ao sofrerem as pressões deste mundo, questionam: “Por que não posso ir ao cinema com meus colegas?”; “Por que não posso usar tal moda?”; ou ainda: “Mas, isto é pecado?”. Eles querem a Deus, mas gostam também de coisas deste mundo. Nesse momento, muitas vezes, os pais erram: não proíbem os filhos, porém ficam chateados com eles. Na verdade, os pais deveriam, com toda firmeza, carinho e graça, colocar os limites necessários para guardar os filhos de perigos e males que eles não enxergam. Os pais não devem ter medo de colocar limites. Se forem frouxos, ficarão aborrecidos com seus filhos, se tornarão ásperos com eles e os filhos serão perdidos para o mundo.

 

Direção clara para a vida

 

Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão. Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta.” Sl 127.3-5.

 

O jovem precisa de modelos dignos e direcionamento claro e firme para a vida. Os adolescentes estão muito preocupados em viver o presente. Não percebem que a mocidade é tempo de semeadura. Não sabem colocar metas de longo prazo. Cabe aos pais a responsabilidade de dar a direção. Eles são como flechas na mão do guerreiro (Sl 127.4). O guerreiro, antes de soltar a flecha, direciona com precisão, para então soltá-la no momento exato: nem antes, nem depois. Enquanto a flecha está na mão do guerreiro, ele pode guardá-la e influenciá-la. Depois que ele a solta, só lhe resta observar e interceder por ela.

 

Os filhos são como flechas na mão do guerreiro. Necessitam de direção precisa em todas as áreas, antes de serem soltos.

 

Áreas a serem direcionadas

 

É necessário buscar ajuda de Deus para formar, com real profundidade, estas áreas na vida dos filhos, não simplesmente por imposições paternas. Tudo isso com muita graça e sabedoria.

 

a. Relacionamento com Deus e com a Igreja. Antes de tudo, ensiná-lo a amar e criar uma profunda relação com Deus, pela oração e pela Palavra. O filho deve ser ensinado também a comprometerse e envolver-se com a Igreja. Deve aprender a respeitar os líderes e os demais irmãos, participar de todos os eventos e cooperar com o avanço do Reino de Deus.

 

b. Relacionamento familiar. Ensiná-lo a desenvolver bons hábitos e cultivar um bom relacionamento com os demais membros da família, ser respeitador para com todos e assumir responsabilidade pessoal nas tarefas domésticas, no cuidado e na conservação dos bens familiares.

 

c. Estudo e trabalho. Orientá-lo a estudar e preparar-se para o futuro, mesmo que ele não goste de estudar. O jovem pode aprender a controlar-se e vencer o desânimo que leva muitos a abandonarem os estudos. Ele precisa ter em mente que está se preparando para o futuro. Os pais devem direcioná-lo a ser um trabalhador diligente, pontual, cumpridor, honesto e bem disposto; não preguiçoso e acomodado.

 

d. Caráter. Formar nele valores fundamentais de caráter: ser verdadeiro, honesto, corajoso, puro, respeitador, sujeito às autoridades, manso, humilde, organizado, disposto a servir e que usa bem o seu tempo. Ser cumpridor dos compromissos e concluidor de suas tarefas. Adverti-lo contra a influência do mundo: modas, músicas, filmes, revistas, amizades e conversas.

 

Ambiente alegre e descontraído

 

Com toda essa firmeza e direção, os pais devem tomar cuidado para não transformar a casa em um quartel. Tudo deve ser regado com muito afeto e relacionamento. É importante haver um ambiente com brincadeiras e descontração. Isso não diminui a autoridade dos pais; ao contrário, aproxima os filhos dos pais. Quem suporta viver em um ambiente triste e pesado? Os jovens são alegres por natureza, gostam de rir e brincar. É algo lícito que os pais devem buscar também, promovendo muito riso e brincadeiras saudáveis. A vida com o Senhor é uma vida alegre (Rm 14.17; Gl 5.22).

 

A alegria do Senhor é a vossa força. Ne 8.10.

 

Os pais também não devem impor seus gostos aos filhos. Gostos são diferentes de princípios. Quando possível, é bom atender a gostos e preferências dos filhos (evidentemente, nada que ofenda ao Senhor). Isso os alegra e os exercita, de forma saudável, a discernir entre o bem e o mal. (Ef 6.4; Cl 3.21).

 

Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados. Cl 3.21.

 

É fundamental dar a palavra de Deus ao jovem filho. Profetizar e ministrar com fé.

 

Instrução com a Palavra 

 

Os jovens recebem, diariamente, através da escola, dos amigos, dos vizinhos, da televisão e da internet, os pensamentos e mentiras do mundo: rebelião, sensualidade, materialismo e orgulho. É necessário, portanto, encher a mente e o coração dos filhos, da mesma maneira, diariamente, com a palavra de Deus. Levá-los a conhecer ao Senhor e a amar a Sua verdade. É fundamental ministrar a palavra de Deus ao jovem filho, ler juntos as Escrituras, profetizar e ministrar com fé. É interessante ter um currículo de ensinos, estudar as apostilinhas e reunir-se, para oração e instrução. Sem isso, ele não terá a fé necessária para se posicionar como um discípulo de Cristo quando chegar o momento de fazê-lo.

 

Alternativas para correção dos filhos adolescentes

 

Os filhos devem saber que a desobediência sempre será tratada segundo o que Deus determinou. Se os filhos não forem corrigidos, Deus corrigirá os pais (1Sm 3.13-14). Filhos grandes, não corrigidos, vão distanciando-se dos pais; e os pais, deles. Isso marca o início do crescimento da semente da rebelião no coração dos filhos. A correção dos filhos adolescentes pode passar por diferentes instâncias que trataremos a seguir.

 

Admoestar não é gritar ou discutir. É levar o filho a compreender seu erro, com seriedade, sabedoria e graça.

 

a. Admoestação verbal

 

E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor. Ef 6.4.

 

Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto. Leais são as feridas feitas pelo que ama (...). Pv 27.5-6

 

Esta é uma primeira instância. Não se trata de gritar e nem discutir, trata-se de levar o filho a compreender seu erro. Pode ir desde um sério conselho até uma forte repreensão e deve ser algo revestido de seriedade, com sabedoria e graça de Deus. Apele para o temor a Deus e aponte para o amor à justiça e ao que é reto e verdadeiro.

 

b. Admoestação com retirada de algo que lhe agrade

 

Esse tipo de medida tem como objetivo trazer maior reflexão sobre o erro. Sempre que possível, a privação deve estar relacionada com o mal que o filho tenha cometido (restringir saídas de lazer, internet, etc.). Cuidado para não cortar algo que envolva sua formação espiritual ou intelectual, por exemplo, proibir de ir aos compromissos da igreja ou do colégio. Também, não devem ser colocados como castigo um trabalho ou tarefa normal, para não transmitir a ideia de que trabalho é castigo.

 

c. Correção física

 

O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina. Pv 13.24.

 

Castiga a teu filho, enquanto há esperança (...). Pv 19.18a.

 

Pais não podem administrar sozinhos os pecados dos filhos convertidos. Eles fazem parte da igreja.

 

Esse tipo de disciplina, em filhos adolescentes, ainda é uma medida possível, quando necessário. Entretanto, uma vez que o adolescente normalmente já não desobedece tanto, ela acabará sendo menos usada. Quanto mais velho for o filho, mais criterioso deve ser o momento de disciplinar. Não pode ser uma briga, deve ser um momento gracioso, sem ira, com uma boa palavra, seguida de arrependimento, oração, perdão e reconciliação: um verdadeiro encontro com Deus. No entanto, com filhos adolescentes que não foram disciplinados desde crianças, essa correção pode não ser a medida mais adequada. Nesses casos, há outras medidas disciplinares que podem ser aplicadas. Deve-se depender de Deus e buscar conselho.

 

d.Disciplina na Igreja

 

Para filhos já batizados, além da disciplina doméstica, conforme o erro praticado, há necessidade de levar o assunto à igreja, para que o filho seja disciplinado como um discípulo. Os pais não podem administrar sozinhos os pecados dos filhos convertidos. Eles têm um compromisso com a igreja.

 

Cultivar amizade e abertura com os filhos

 

Desenvolver uma amizade sincera com os filhos deve ser uma prioridade. A comunicação e a instrução terão muito mais efeito dentro de uma amizade real e proporcionará um ambiente de confiança para que eles sejam sempre sinceros e transparentes com os pais.

 

Para isso, a dedicação é necessária: sair juntos para passeios, praias, pizzas, esportes, etc. O pai e a mãe devem sair com todos juntos e também individualmente com cada filho e filha. Tempo juntos é fundamental para haver abertura e boas conversas. Presentes e cartas também ajudam a demonstrar sentimentos e cultivar a amizade. É muito importante falar a verdade em amor (Ef 4.25) e conversar sobre tudo com eles. Escutar os filhos com calma, atenção e compreensão. Todas as perguntas devem ser respondidas, sendo sempre sinceros. Quando os pais errarem, é essencial confessarem e reconhecerem seus erros diante dos filhos. Eles já não são mais crianças e percebem quando os pais erram. Esse reconhecimento não diminui a autoridade dos pais, pelo contrário. Outro aspecto é não falar dos filhos aos outros: não expor seus erros, não contar seus sentimentos, paixões, segredos e opiniões; não envergonhá-los. Devem, também, ser sensíveis e elogiar seus filhos. Isso os animará a prosseguir. A criação dos filhos, vai além da nossa capacidade natural. Mas, se aceitarmos esta tarefa com fé e na dependência de Deus, receberemos toda a graça necessária para realizá-la e conduziremos nossos filhos no caminho eterno. Aleluia!

 

Se aceitarmos a tarefa da criação dos filhos com fé e na dependência de Deus, receberemos toda a graça para realizá-la.

 

 

 

 

 

 

 

 

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