Abriu-se a madre... há um fruto novo na Videira...
Hoje, 11/02/09, é um dia bom!
Depois de três (03) anos e nove (09) meses de esforços, tentativas, frustrações, esperanças renovadas, semeaduras e muitas lágrimas, o Pai nos permite ver nascer o primeiro “bebê”... colher o primeiro fruto. Handullilah! (Graças a Deus!). Méjid´Allah! (Glória a Deus!). Halyluia! (Aleluia!).
Este contato que hoje foi “enxertado na Videira” é uma ex-colega de nossa filhota. Seus pais e boa parte se sua família já sabem de sua decisão e não se opuseram. Estamos confiantes que por meio desta garota o Senhor nos está descobrindo um “oikós”, que pode trazer um fruto precioso. Ela já está compartilhando com sua irmã (que esteve aqui estudando a Palavra conosco) e, agora, seu irmão também está interessado em ouvir. É nossa petição ao Pai, desde que aqui chegamos, que Ele levante uma nova geração de discípulos destemidos, cheios de convicção de seu chamamento e sacerdócio. Gente cheia do Espírito Santo e de compaixão por seu próprio povo. Gente disposta a não esconder seu testemunho de sua própria família.Também temos clamado para que casais e famílias inteiras recebam as Boas Novas do Reino. Precisamos de casas onde se possa formar corpo e edificar todos os que hão de receber “remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé” (At 26.18).
No ambiente onde estamos este é um acontecimento marcante e que deve ser festejado... com moderação. Por aqui, infelizmente, também existe “fruto” improvisado, “arranjado”... e nós não queremos repetir algumas histórias que conhecemos.
A “Porta” foi apresentada com todas exigências do Reino... “estreitar” mais seria fechá-la. Isto nos dá muita segurança quanto ao estar fazendo a obra com o devido temor de Deus, buscando Sua glória e Sua aprovação, e não “resultados”. Mas, sabemos bem, o ambiente onde este “bebê” nasceu é bastante hostil e precisaremos de muita graça e discernimento para conduzir-nos e conduzi-lo (o bebê)...
Temos compartilhado a palavra com ela ao longo de dois anos (primeiro nosssa filha sozinha, depois nós todos). Este trabalho de semeadura longa e paciente tem nos trazido algumas preciosas lições. Sem o perceber, esta menina tem me ajudado a ter uma fé mais simples, a crer no que está escrito sem fazer muita ginástica interpretativa. Outro dia, quando conversávamos sobre problemas que seu pai está enfrentando e lhe apontávamos promessas de Deus, ela orou assim: “Senhor está escrito no Livro (é assim que eles chamam a Escritura) que Tu cuidas de nós, então Senhor, ajuda meu pai com as dificuldades que o estão afligindo”. Fazia apenas duas semanas que esta garota descobriu que existe “o livro” em sua língua. Não conhecia nada, mas seus olhos brilhavam com cada palavra, cada versículo. Nunca vi tanta simplicidade e uma fé tão desprovida de roupagem “igrejera”. Muitas vezes, enquanto compartilhávamos com ela, tinha que lutar para segurar o choro ao ver sua sêde de Deus – nesta terra tão árida; e sua busca pela verdade – no meio de uma sociedade marcada pelo engano; e sua simplicidade – em uma cultura que vive de aparências; e sua gratidão tão verdadeira – onde a marca é tirar o maior proveito possível de um estrangeiro...
Bem, eu sei que a maioria das pessoas não gosta de ler e-mail´s longos... mas, a quem estiver disposto a conhecer um pouquinho mais de nossa realidade aqui, aproveito a boa nova (as pessoas ficam mais animadas quando recebem uma boa nova...) para compartilhar algumas idéias, experiencias e sentimentos nossos nestes primeiros anos aqui.
Uma das coisas mais marcantes que temos provado é a crescente necessidade da assistencia do Espírito Santo - nem tanto por uma iniciativa consciente em buscar esta direção, mas forçados pelas circunstâncias. Como não é possível usar os meios convencionais para anunciar as Boas Novas, e a instrução aos dscpls com a Palavra não pode (não convém) ser feita em qualquer lugar, precisamos depender do Espírito para toda e qualquer ação (estou descobrindo que eu era muito mais independente do que imaginava). As vêzes esta dependência significa simplesmente esperar, esperar, esperar... A seguir uma pequena lista de motivos que nos tem “forçado” a buscar esta dependência:
a) Nossa absoluta incapacidade de comunicar o amor e a autoridade do nosso Rei Eterno, neste ambiente onde tudo, simplesmente, tudo - valores da vida cotidiana, costumes, tradições, leis, fé - se opõe declaradamente ao Seu Reino. Mesmo entre aos que já eram contados como irmãos, muitos dos valores do Reino lhe são muito estranhos...;
b) A falta de fluência no idioma que durante as muitas tentativas de comunicar a palavra do Reino (aos de dentro e aos de fora) nos produziu, tantas vêzes, um sentimento de impotência tão esmagador que é difícil de explicar a quem nunca viveu esta experiência. Muitas vêzes (guardadas as devidas proporções) a tenho comparado ao esforço do Mestre em conter seu ímpeto messiânico, limitado naquela carpintaria, enquanto aprendia a ser gente como nós...;
c) A necessidade de manter a família alegre e em paz neste ambiente;
d) O tempo gasto com o projeto social e as tensões inerentes a este trabalho;
e) A questão da segurança que nos deixa com a sensação de estar sendo vigiado todo o tempo e ter que cuidar com o que se fala seja ao telefone, seja em conversas na rua. A necessidade de desenvolver estratégias para “dispersar” visitas inesperadas quando estamos compartilhando com “contatos” em casa ou quando os encontros da “família” aconteciam aqui... o Negão está ficando um especialista nesse serviço...;
f) A necessidade de “fazer a obra” sozinhos - não apenas a ausência dos nossos discipuladores, companheiros e discípulos, mas de todo o Corpo que aí marchava unido em uma mesma fé no caminho de serviço ao Senhor.
g) Nossas convicções quanto à obra também tem sido um fator de dificuldade no trato com obreiros estrangeiros e com os próprios nacionais, exigindo-nos muita “ginástica” para conciliar a necessária firmeza nos princípios absolutos com uma atitude verdadeira de cooperação, tolerância e humildade.
Estes fatores somados (e mais alguns não citados) têm me forçado a elevar a alma aos céus muitas vêzes, ao longo do dia, cada dia...
Nunca me senti tão incapaz, tão só, tão fraco e, ao mesmo tempo, tão confiante e tão dependente de Deus, verdadeiramente depedente de Deus (fazer o quê? não temos opção - quando não se sabe o que fazer não resta outra alternativa senão esperar em Deus).
Aqui, tentando comunicar o Caminho, a Verdade e a Vida a quem vive uma fé sem a menor influência da cultura ocidental, pude compreender melhor como a “palavra da cruz é loucura”, e como só se pode ser salvo crendo na “loucura da pregação”, e como é tão importante apresentar apenas ao Senhor “... e este crucificado”. Pude entender melhor, também, porque há tantas histórias por aqui de gente que encontra o Caminho por meio de sonhos e visões – as limitações existentes “exigem” uma “mãozinha” extra de nosso Amado...
Para concluir, uma relação de motivos de oração:
1. Que nossa relação com os familiares do “bebê” cresça e se aprofunde. Nos próximos dias eles estarão almoçando conosco... depois iremos almoçar com eles... e assim segue, até que a luz “brilhe em seus corações”...
2. Orem por nosso trato com os poucos “antigos” que existem em nossa cidade: é duro e complicado edificar sobre fundamento alheio, ou onde nem existe fundamento. Por outro lado, conviver com eles e não tentar edificá-los é muito desconfortável, sobre tudo porque já foram estabelecidos vínculos e compromissos (sinto-me como quem assinou um contrato e não leu as letrinhas miúdas do roda pé);
3. Orem para que tenhamos sabedoria e graça para conciliar a fundamentação e edificação desta nova discípula (e as demais vidas que virão) e o convívio dela (deles) com os “antigos” da “grande família”; queremos e precisamos trabalhar ao lado destes amados – para isso viemos - mas ao longo do caminho me tem surgido muitas interrogações sobre a maneira de fazer isso;
4. Há um outro contato que tem frequentado nossa casa e com quem temos compartilhado, em família, já fazem meses: é uma garota de 23 anos, do tipo Lc 7.37, com uma história muito difícil e triste. Relacionar-se com pessoas como ela, neste ambiente religioso e farisaico (no sentido pejorativo destas duas palavras), implica uma série de inconveniencias e riscos. Por causa disto os irmãos locais não quiseram seguir acompanhando-a. Mas, que faremos nós? Que fez o Senhor quando mulheres como essa o procuraram? Se Ele as recebeu não podemos fazer diferente. Por razões distintas, algumas pessoas (um número maior do que o recomendável) sabe do relacionamento dela conosco, mas seguimos tranquilos: a fé que temos é que nossa permanência aqui e nossa segurança é um problema do Pai, nossa parte é manifestar e proclamar Sua vontade e amor a esta gente. Aos poucos, e com muita dificuldade ela tem abandonado esta prática perversa e triste. Depois que começou a ouvir já voltou a cair no mesmo pecado, mas veio confessar, com muita vergonha. Sabemos que além do vício existe a necessidade de sobrevivência, que foi o motivo de ter se iniciado nesta vida... Está fazendo um mês que ela abandonou esta prática (segundo seu testemunho). No momento a esposinha está ensinando-lhe alguns artesanatos: compramos o material para ela trabalhar, e a produção também... que pretendemos vender a vcs em nossa próxima ida à terrinha... É uma maneira de ajudá-la a criar hábitos de trabalho, deixar a preguiça e ter uma pequena fonte de renda que lhe permita viver com um mínimo de dignidade. Orem para que tenha plena convicção de pecado e revelação do Senhor e de Sua justiça que nos foi imputada (Rm 4.1-8; 2Co 5.21).
5. Há diversas pessoas e famílias com quem temos nos relacionado e compartilhado em níveis diferentes de profundidade. Orem para que tenhamos discernimento em quem “investir” de maneira mais definida e para que o Senhor abra os corações.
6. Orem pelo encaminhamento escolar de Jajai e Teteu: ela está concluindo os estudos na Faculdade em junho e estamos buscando em Deus qual seria o melhor encaminhamento para ela agora: permanecer aqui; voltar para “a terrinha”; buscar uma bolsa de estudos para seguir estudando em outro país (existe a possibilidade de ir a França, por um ou dois anos, com uma bolsa de estudo e moradia) etc... Nosso Negão está em uma situação mais delicada: se não conseguir entrar na escola francesa este ano talvez tenha que voltar à “boa terra” para fazer supletivo do 1º e 2º graus (o que ele tem hoje é o certificado da 3ª série Fundamental, o nível em que estava quando viemos para cá, o que o deixa “meio” constrangido, às vêzes). Temos pensado, também, mesmo que ele não ingresse na escola francesa, em adiar seu retorno (o supletivo se pode fazer a qualquer momento), para que possa confirmar sua fé e definição pelo Reino ao nosso lado, e para que se dedique ao aprendizado de idiomas – já tem o francês fluente, se comunica bem em espanhol e árabe e está estudando inglês... De qualquer forma, não é uma decisão fácil.
Somos muitíssimos gratos ao Senhor por nos ter “plantado” entre vocês e, a partir daí, nos trazido a esta terra. Tê-los à nossa retaguarda é uma bênção muito especial, um presente dos céus para nós.
No amor perfeito e eterno de Quem nos amou até ao fim! (Jo 13.1; Ap 1.5).
EFS & cia!